A ilusão da originalidade

Por que nenhuma ideia é verdadeiramente nova?

Num mundo obcecado pela inovação e originalidade, muitas vezes nos encontramos sob pressão para criar algo totalmente novo.

Mas e se eu lhe dissesse que nenhuma ideia é verdadeiramente original?

E se a essência da criatividade não residir em criar algo a partir do nada, mas em organizar e conectar as informações que já estão à nossa disposição?

O segredo das invenções é o quão amplo você pode imaginar com as informações existentes e a capacidade de conectar os pontos.

A natureza das ideias

Nossos cérebros são poderosos, mas são limitados pelas informações que absorveram.

Tudo o que pensamos, cada ideia que geramos, é construída com base nas experiências, conhecimentos e informações que reunimos ao longo do tempo.

Nosso ambiente, os livros que lemos, as conversas que tivemos e as experiências que vivemos contribuem para um vasto banco de dados de conhecimento em nossas mentes.

Quando pensamos em uma ideia, não estamos tirando algo do nada. Em vez disso, estamos recuperando, reorganizando e reinterpretando as informações que já existem em nossas mentes.

Este processo tem menos a ver com criar e mais com reorganizar e conectar o que já sabemos.

Conectando os pontos: a verdadeira essência da criatividade

criatividade é frequentemente descrita como a capacidade de conectar os pontos entre informações aparentemente não relacionadas. Não se trata de inventar conceitos inteiramente novos, mas de ver relações que outros talvez não vejam.

Considere a invenção do smartphone. Os componentes — telefonia, informática, acesso à internet, câmeras — já existiam antes do lançamento do primeiro iPhone.

A genialidade do smartphone reside na forma como estas tecnologias existentes foram reunidas e combinadas de uma forma inovadora, criando um dispositivo que revolucionou o mundo.

O Mito da Originalidade

A história está repleta de exemplos das chamadas ideias “originais” que eram, na verdade, iterações (ciclo de repetições e acúmulo de experiências) ou combinações de conceitos existentes.

O conceito de originalidade é, em muitos aspectos, um mito.

Quando olhamos de perto, descobrimos que a maioria das ideias “novas” são simplesmente ideias antigas vistas de uma perspectiva diferente ou aplicadas num novo contexto. (É muitas vezes como a moda acontece, em que certos itens e looks são revisitados e trazidos do passado com uma adequação presente)

Essa percepção pode ser libertadora.

Nos liberta de um medo paralisante de ter de criar algo completamente único e nos permite concentrar no que realmente importa: a capacidade de ver ligações onde outros não as veem.

Ampliando sua imaginação

Se a criatividade consiste em conectar os pontos, então quanto mais pontos você tiver, mais conexões poderá fazer.

É aqui que entra em jogo a importância de ampliar sua imaginação.

Ao se expor a uma ampla gama de experiências, ideias e conhecimentos, você expande o conjunto de informações que seu cérebro pode extrair.

Seja curioso. Explore novos campos. Leia amplamente. Participe de diversas conversas. Quanto mais ampla for sua base de conhecimento, mais conexões criativas você poderá fazer.

A influência do ambiente e dos relacionamentos na criatividade

O ambiente em que crescemos é a nossa primeira fonte de informação. Ele prepara o cenário para como percebemos o mundo, o que valorizamos e o que aspiramos.

Por exemplo, uma criança criada num lar cheio de livros e conversas intelectuais provavelmente desenvolverá uma imaginação rica e um amor pela aprendizagem. Por outro lado, uma criança que cresce num ambiente mais restritivo pode ter menos oportunidades de explorar e experimentar novas ideias.

A cultura, a comunidade e até mesmo os espaços físicos que habitamos contribuem para o conjunto de informações que nosso cérebro pode acessar.

Um ambiente vibrante e diversificado, repleto de diferentes perspectivas e experiências, promove naturalmente mais criatividade, fornecendo uma variedade mais ampla de “pontos” para conectar.

Igualmente importantes são as pessoas com quem interagimos regularmente. Nossa família, amigos, mentores e colegas influenciam nossos processos de pensamento, crenças e até mesmo nosso potencial criativo.

Cercar-se de pessoas que desafiam seu pensamento, apresentam novas ideias e estimulam sua curiosidade pode aumentar significativamente sua criatividade.

Consideremos o impacto de ambientes colaborativos como Silicon Valley, onde a concentração de mentes inovadoras leva a uma troca de ideias que impulsiona os avanços tecnológicos. Ou pense em figuras históricas como os artistas da Renascença, que prosperaram em comunidades onde a criatividade era cultivada e partilhada.

Concluindo, nenhuma ideia nasce isolada.

O segredo da criatividade não reside no ato de criação em si, mas na capacidade de organizar e conectar a informação existente de formas novas e imaginativas.

O ambiente em que crescemos e as pessoas que nos cercam são fundamentais na formação dessa informação e, consequentemente, no nosso potencial criativo.

Então, da próxima vez que você procurar aquela ideia “original”, lembre-se: não se trata de criar algo do nada; trata-se de ver o potencial daquilo que você já sabe e com quem aprendeu.

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